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  • trecker 02:21 on 14/05/2010 | 1 Permalink | Reply
    Tags: , testosterona

    Só entende essa merda que me dá de vez em quando quem sente (com ou sem razão) que já foi, em algum momento, com alguma grande guria que te mostrou como é a vida, uma espécie cotidiana toma-ônibus-e-vai-ao-trabalho de supercouple. Rhett Butler e Scarlett O’Hara, em versões mais feias e pequenas.

    Você conhece o filme, a comparação é só pra poder usar o termo supercouple e o uso do termo só se justifica pela idéia de que as coisas e pessoas e histórias aconteciam ao redor e que influenciava a percepção de uma meia-duzia de outros desgraçados sobre como uma grande história deveria ser e que gerava expectativa em outros que não teus pais e os dela. Mais que isso é interpretação e interpretação is a bitch.

    O problema é que, logo depois, a única coisa que consigo pensar é que frankly, my dear, I don’t give a damn.

     
  • trecker 03:51 on 05/05/2010 | 2 Permalink | Reply
    Tags: testosterona

    Ela estava distante.

    Ele não esperava muita coisa, nem supunha que algo fosse acontecer naquela noite. Talvez ainda restasse alguma aura do namorado ali e imaginou que ela poderia não querer nada por conta disso — nunca sabia ao certo quão importante era isso, afinal — então concentrou-se apenas em cuidar da trilha sonora, tarefa essa em que parecia falhar miseravelmente de acordo com os sinais do grupo, dela inclusive. Mesmo assim, por um bom tempo continuou escolhendo as músicas que queria para compor o momento. O seu, que fique claro. Estava egoísta naquela noite.

    Entrou no quarto e deitou ao seu lado. Estava ainda taquicárdico com o susto do barulho imenso que ela havia feito ao abrir a porta, o risco de alguém ter ouvido. Não podia estar ali. Deitou ao seu lado enquanto ela brincava nervosamente com o celular, em movimento repetitivo. Estava ansiosa por não sabia o quê, mas não era sexo. Pôs a mão sobre sua barriga e a deixou ali.

    Estava nervoso. Mas não era como se estar ali significasse coisa demais. Não podia dizer que não a queria para si, para sempre, mas não era isso. Ou ao menos não só isso. Era fácil a querer, nem demandava esforço, era só consequência da vontade de entendê-la. Vontade essa que podia sim gerar situações estranhas, como ele deitar imóvel ao lado dela, com a mão sobre sua barriga, se perguntando no que diabos ela pensava enquanto mexia com o celular daquele jeito. Era um nervoso bom, quase livre de expectativas. Mas ainda assim só quase. No entanto, se havia aprendido algo nos últimos anos era como lidar com expectativas. E ela sabia disso.

    Ela encostou nele a bunda e pressionou, puxando o corpo dele contra o seu pela cintura. Depois afastou. Depois voltou e virou e o sentou em cima, depois afastou. Ele viu que era guerra e mordia e apertava, lutava com as armas dela. Tinha tudo para perder. Sabia que perderia, mas não se importava. Até que estava gostando da luta dela contra si mesma e agora também contra ele. Estava gostando de ser o motivo e ao mesmo tempo se sentia mal por isso. Talvez esse sentir-se mal pelo conflito dela é que explicasse o nervoso mais que qualquer outra coisa.

    Ergueu sua blusa até o colo, usando os dentes, e abriu o fecho do sutiã com uma mão, antes que ela terminasse de dizer um “não” meio reticente, cheirou seu colo e beijou seu pescoço. Ela afastou e ajeitou a roupa, depois voltou para cima.

    Dali continuaram em preliminares, interrompidas de tantos em tantos minutos por tentativas dela de parar aquilo, nas quais ela não parecia aplicar muito empenho. Seu cheiro intoxicava. Desde que ela chegara, na verdade. Não era fácil sentir seu cheiro somente a cada muitos meses daquele jeito. Aspirava profundamente como quem se desespera para lembrar depois.

    Então ela parou de um jeito que parecia definitivo, disse que era melhor dormir. Dormiram, cada um para um lado. Ela bem antes, já que ele gastou um bom tempo anotando mentalmente a coisa toda e arquivando com cuidado para futura referência. Vai saber quando teria de novo uma noite com ela tão grande quanto aquela. Só não superava aquela outra em que transaram no carro, em frente à casa dela.

     
  • trecker 01:13 on 04/05/2010 | 3 Permalink | Reply
    Tags: testosterona

    Ela estava distante, quase não falou durante o jantar. Mesmo com toda aquela gente à mesa, limitava sua participação nas conversas a responder o que era perguntado, sem elaborar muito. Só queria uma boa noite de sexo com ele, pra variar um pouco. Queria dar para ele havia tanto tempo, pelo sexo com alguém que conhece bem e admira. O problema era que ele parecia sempre encher isso de significados com aquela merda daquele carinho todo. Como se eles fossem se casar ao sair da cama. Ela com a porra lhe escorrendo pelas pernas e ele com o pau ainda melado, corpos suados e nus ou vestidos às pressas, recebendo a benção de padre, pais e padrinhos.

    Não era nada disso e essa maldita pintura a óleo que ele parecia pintar toda vez que se trançavam as pernas tinha o infalível poder de acabar com seu tesão. Boner killer imediato, se ela fosse um homem. Aquela merda daquele sorriso e o maldito brilho no olhar. “Não é pra ser grande coisa e sua vida não vai mudar no minuto em que você gozar dentro de mim”, tinha vontade de dizer a ele. Foda-se, tinha mesmo era vontade de ilustrar com extremos, de elevar às mais altas potências e dar a ele uma boa grana depois da foda só para que ele entendesse de uma vez por todas que ela não precisava de um novo namorado. Precisava era de uma ou vinte trepadas memoráveis com ele.

    Mas naquela noite, diabos, como ela queria sexo.

    Ele escovava os dentes e ela escancarou, abrupta e ruidosamente, a porta do quarto, olhou para ele, provocou e voltou a deitar. Ele a viu apenas de camiseta à luz fraca da luminária e entendeu o recado quando ela ajeitou a minúscula calcinha na bunda ao se virar de costas.

    Decidiu que não daria atenção a sorriso e carinho, esperava que ele se desse conta disso e deixasse de bobagem, e cuidasse apenas de comê-la como ela merecia. Mas a decisão não durou muito, chegou a pensar que ele estava nervoso, de tão insuportáveis que lhe pareciam aqueles sorrisos e aquela atenção toda. “O que diabos eu tenho que fazer? Sentar-lhe a mão na cara?” pensou. E saía e voltava para cima dele, afastava e puxava. Lutava contra a vontade de continuar e a de parar e nunca mais tocar nesse assunto. Chegou a arriscar penetração mais de uma vez, mas se arrependia pouco depois de começar o movimento, ao ver a maneira com que ele a olhava.

    Sem concluírem coisa alguma, depois de um sem fim de preliminares, viraram cada um para um lado e dormiram com aquilo que havia sido a maior noite de sexo dos dois. Maior até que a vez em que transaram mesmo, no carro, em frente à sua casa.