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	<title>trecker &#187; serotonina</title>
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		<title>Temporary Star</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 02:58:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>trecker</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ônibus relativamente cheio, 23:45, semáforo do cruzamento Paulista vs. Brigadeiro.
Estou de pé e nos meus fones toca February Star há algum tempo. À minha frente, sentada, uma guria de olhos fechados e cara de sono, também com fones de ouvido.
Poucos segundos depois que entra a pancadaria na música &#8212; a que, pelo menos eu, estou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ônibus relativamente cheio, 23:45, semáforo do cruzamento Paulista vs. Brigadeiro.</p>
<p>Estou de pé e nos meus fones toca February Star há algum tempo. À minha frente, sentada, uma guria de olhos fechados e cara de sono, também com fones de ouvido.</p>
<p>Poucos segundos depois que entra a pancadaria na música &#8212; a que, pelo menos eu, estou ouvindo &#8212; ela abre os olhos pra ver em que altura do caminho está e a primeira coisa que vê é minha cara de babaca olhando diretamente pra ela.</p>
<p>Com tão pouco tempo pra decidir qual seria a reação menos idiota, acabo não evitando sorrir pela coincidência. Ela sorri amarelo, fecha a cara e em seguida sorri sincero de volta, já com o ônibus andando. Eu salto no primeiro ponto.</p>
<p>Guria, vai demorar um tempo pra eu esquecer teu rosto.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Pedagogia</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Mar 2010 04:49:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>trecker</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Procurava um livro. Não havia levado nenhum, como sempre levava em viagens. Chegara à cidade na noite anterior, depois de constatar que não aguentaria mais uma noite no calor de Campo Bom. Ficou tão agradecido pelo ar-condicionado no quarto que não foi a lugar algum na primeira noite, apenas pediu o jantar na pizzaria ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Procurava um livro. Não havia levado nenhum, como sempre levava em viagens. Chegara à cidade na noite anterior, depois de constatar que não aguentaria mais uma noite no calor de Campo Bom. Ficou tão agradecido pelo ar-condicionado no quarto que não foi a lugar algum na primeira noite, apenas pediu o jantar na pizzaria ao lado do hotel em que estava.</p>
<p>Naquela noite, após voltar de Campo Bom, procurava um livro.</p>
<p>&#8211; Não tem esse aqui com aquela outra capa?<br />
&#8211; Não tem, recolheram. Também não vou muito com a cara do Wagner Moura não.<br />
&#8211; Bom saber.<br />
&#8211; Mas você vai gastar pouco tempo vendo essa capa, é um livro bem rápido.</p>
<p>Silêncio. Folheou o livro um pouco a procura de alguma descrição de cena convincente o bastante pra levar.</p>
<p>&#8211; Ou se quiser fica só com o filme mesmo.</p>
<p>Mais silêncio.</p>
<p>&#8211; Se não viu também, já deve saber as falas todas, nem precisa.</p>
<p>Três sentenças não solicitadas nem respondidas. Tirou os olhos do livro. Cabelo curto e escuro, pele clara, óculos e qual cor de olhos mesmo?</p>
<p>&#8211; E você o que está lendo?<br />
&#8211; Bah &#8212; era o primeiro bah que chamava a atenção desde que desembarcara em Porto Alegre &#8211;, com os da faculdade mal dá tempo de escolher por conta própria.<br />
&#8211; Faz o que?<br />
&#8211; Pedagogia.<br />
&#8211; Entendo.<br />
&#8211; Também faz?<br />
&#8211; Não, desculpe. Não entendo então. Escolhe um.<br />
&#8211; Capaz!<br />
&#8211;  ?<br />
&#8211; Nada. Conhece Oliver Sacks? Vem cá, olha esse.</p>
<p>Mostra &#8220;O homem que confundiu sua mulher com um chapéu&#8221;. O título causa impacto.</p>
<p>&#8211; Que bom que gostou. Passo o seu e fecho meu turno, tá?<br />
&#8211; Tá. Demora?</p>
<p>Perguntou se demorava para passar. Umas três pessoas na fila do caixa e os números do prospecto que precisava mandar para o escritório em São Paulo preocupavam.</p>
<p>&#8211; Não, é rapidinho. Só trocar de roupa. Já arrumei tudo mais cedo.</p>
<p>Respondeu sobre o tempo que levaria para fechar seu turno. Desistiu de prospecto e de escritório. Por pouco não desiste também do vôo de volta.</p>
<p>&#8211; Você toma café?<br />
&#8211; Tomo sim. [sorriso]</p>
<p>~.~</p>
<p>&#8211; Fechou, mas senta aqui mesmo.</p>
<p>~.~</p>
<p>&#8211; Aí resolvi que gostava de criança.<br />
&#8211; Tá, mas só isso não explica. E nem precisa de explicação. Nem sei por que perguntei.<br />
&#8211; Pois é.</p>
<p>~.~</p>
<p>&#8211; E o café, como fica?<br />
&#8211; Amanhã não abre de novo?<br />
&#8211; Abre, mas saio no mesmo horário.<br />
&#8211; Eu não. Venho mais cedo então.</p>
<p>~.~</p>
<p>&#8211; Deve ser porque só teve filha mulher. Não sei explicar, minha mãe é assim às vezes.<br />
&#8211; A minha também e teve um casal, eu primeiro.<br />
&#8211; Ufa.</p>
<p>~.~</p>
<p>&#8211; Olha, preciso mesmo ir pra aula. Você quer uma carona pra algum lugar?<br />
&#8211; Não precisa, eu tomo um taxi até o hotel.<br />
&#8211; Qual hotel? O Swan?<br />
&#8211; Isso, como sabe?<br />
&#8211; A faculdade é do lado. Vem.</p>
<p>Foi.</p>
<p>O livro ficou no carro, em uma outra carona, não lido. Nunca mais o viu.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Venezuela ou quase</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 04:50:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>trecker</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[serotonina]]></category>

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		<description><![CDATA[Acordou cedo, ao primeiro toque do despertador. Não aguentava a ansiedade de sair logo do avião. Sim, porque achava imbecil essa vontade que as pessoas tem de &#8216;andar de avião&#8217;. Quase tão imbecil quanto a piada que diz que de avião quase não se anda, é bem pouquinho só na pista. Avião é meio de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acordou cedo, ao primeiro toque do despertador. Não aguentava a ansiedade de sair logo do avião. Sim, porque achava imbecil essa vontade que as pessoas tem de &#8216;andar de avião&#8217;. Quase tão imbecil quanto a piada que diz que de avião quase não se anda, é bem pouquinho só na pista. Avião é meio de transporte, serve pra levar do ponto A ao ponto B e quem utiliza anseia por chegar no ponto B, não pelo trajeto. Ou é imbecil, pensava. E também porque passava mal no vôo, mas usava sempre o outro argumento.</p>
<p>Foi buscá-la de táxi logo cedo, bem cedo mesmo. Saiu sem nem tomar café da manhã. Sempre quis ter quem o acompanhasse até o aeroporto. Adorava esse clichê. Naquele dia ela prometeu ir junto. Esperou na porta e deu abraço e beijo de bom dia. Já havia dito em outra ocasião que ela tinha cheiro de café da manhã e que, de algum modo, ela se assemelhava às primeiras coisas do dia. O primeiro cigarro. Não pôde evitar não fumá-lo até que a visse, pra ver pela nãoseiqualésima vez se era mesmo a mesma coisa.</p>
<p>Ela entrou no taxi morrendo de sono e começando a sentir os analgésicos que tomara para a dor de cabeça fazerem efeito. Deitou em seu peito e dormiu o caminho todo ganhando carinho com a ponta dos dedos em torno da orelha enquanto ele fingia calma evitando olhar muitas vezes para o celular.</p>
<p>A despedida no aeroporto, pela qual também anseava como se fosse um teste pelo qual todo casal precisa passar (não houve esse teste em seu relacionamento e já se viu no que deu) foi impedida por complicações alheias a seu controle e algo sobre homologação de não sei qual lei.</p>
<p>Não embarcou, sequer passou do check-in, mas foi o bastante terem rido juntos da tragédia que lhe impediu as férias. E não foi teste algum, também. Ficou pensando na falta que teriam feito aquelas duas horas a mais com ela, rindo de bobagens no aeroporto cheio.  </p>]]></content:encoded>
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		<title>pedicure</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Mar 2010 22:43:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>trecker</dc:creator>
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		<category><![CDATA[serotonina]]></category>

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		<description><![CDATA[Havia acabado de sair do banho, abriu a porta e ele estava no computador, cuidando de uma meia dúzia de coisas do trabalho antes de viajar.
&#8211; Pega ali aquela mochila pra mim?
&#8211; Essa aqui ou a verde?
&#8211; A verde. Traz também a escova.
Ele largou o computador e sentou na cama. Nunca conseguiu se negar a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Havia acabado de sair do banho, abriu a porta e ele estava no computador, cuidando de uma meia dúzia de coisas do trabalho antes de viajar.</p>
<p>&#8211; Pega ali aquela mochila pra mim?<br />
&#8211; Essa aqui ou a verde?<br />
&#8211; A verde. Traz também a escova.</p>
<p>Ele largou o computador e sentou na cama. Nunca conseguiu se negar a assistir esse pequeno ritual pós-banho feminino, de se besuntar em cremes e cuidar do cabelo e se maquear. Em nenhum outro momento, para ele, era tão evidente a beleza e graça feminina. Quando não podia presenciar mas via o resultado do cuidado, fechava o mundo por um ou dois segundos e via, mentalmente, o processo todo. </p>
<p>Ela se esticava e contorcia para hidratar as partes menos acessíveis do corpo. Chegou a pensar em oferecer ajuda, que talvez para ela somente notar que ele observava atentamente não seria atenção e carinho o bastante, mas não conseguiu e cedeu à vontade de só assistir. Ela resolveu que faria as unhas do pé (já havia cuidado das da mão na noite anterior, quando foram jantar frutos do mar na praia) e anunciou a decisão, respondida com um sorriso quase adolescente.</p>
<p>Ela nunca disse, mas adorava saber que alguém assistia com tanta atenção, que alguém se importava tanto.</p>
<p>Colocou o pé esquerdo na beira da cama, onde se sentava, e apoiou o rosto no joelho erguido. De vez em quando parava e olhava pra cima, porque a posição lhe forçava a coluna. Terminou, repetiu com o pé direito, terminou também e se deitou, estirada em estrela na cama. O procedimento havia lhe cansado os músculos do abdômen quase como a noite anterior cheia de movimento e respiração ofegante.</p>
<p>Só então que ele se aproximou para dar um beijo desengonçado em sua testa, como se agradecesse pela apresentação, levantou-se e foi para a cozinha fazer um café.</p>
<p>&#8211; Servida? Ficou meio aguado, me desconcentrei na medida.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Desintoxicação</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 05:59:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>trecker</dc:creator>
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Depois daquele dia, ficou alimentando o desejo e o carinho por algumas semanas. Mesmo com tanto tendo acontecido naquela noite, o que não lhe saía da memória era o beijo inesperado que ele havia roubado quando a deixou em casa pela manhã. Houveram outros beijos muito mais intensos, mas era aquele que lhe voltava à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.flickr.com/photos/thespeak/222702469/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-293 alignnone" style="margin: 10px;" title="222702469_e62d23700c_b" src="http://trecker.com.br/wp-content/uploads/2010/02/222702469_e62d23700c_b1.jpg" alt="222702469_e62d23700c_b" width="512" height="340" /></a></p>
<p>Depois daquele dia, ficou alimentando o desejo e o carinho por algumas semanas. Mesmo com tanto tendo acontecido naquela noite, o que não lhe saía da memória era o beijo inesperado que ele havia roubado quando a deixou em casa pela manhã. Houveram outros beijos muito mais intensos, mas era aquele que lhe voltava à mente sempre que se permitia alguns segundos de pausa de qualquer assunto do qual precisava cuidar.</p>
<p>Foi assim aquela semana inteira, mal trabalhou.  Preparava tudo para o que tinha que fazer e parava antes de começar, sugada pela lembrança. Era aí que ele aparecia e pulava a janelinha onde conduziam um flerte bobo, sem sentido, que lhe enchia o estômago de borboletas e já começava a sentir pequenas cãibras nos músculos do rosto, de passar o dia sorrindo pra nada.</p>
<p>Resolveu que não podia ser assim. Desejou que ele desaparecesse, que não tivesse mais assunto pra contar, que não tivesse mais textos pra ler e que não quisesse reler pela vigésima vez os textos todos que já havia lido. Que a janelinha não aparecesse mais.</p>
<p>Lembrou então que todo problema só é tão grande quanto a atenção que damos a ele. Lembrou também que não havia nada em sua vida que a motivasse a alimentar novas paixões. Não que não houvesse lembrado antes, mas antes lembrava e deixava de lado, só pra se corroer em culpa depois. E essa raiva de si precisava de um fim.</p>
<p>Todo problema só é tão grande quanto a atenção que damos a ele e esse problema não carecia de atenção, bastava olhar pro outro lado, bastava encarar a solução como simples, mesmo quando não fosse. Mesmo quando sentisse necessidade inexplicável de falar com ele só pra dar bom dia e contar que chateou-se quando viu que havia acabado o suco de laranja. Não seria ele a trazer mais suco quando voltasse do trabalho.</p>
<p>Decidiu isso e contou a ele, porque é difícil não contar. Ele provocou e fez perguntas que não precisava fazer. Resolveu sair de casa pra esfriar a cabeça, ficou com uma pequena raiva daquilo.</p>
<p>Depois voltou pra contar do cappuccino e das coisinhas de papelaria. Citou &#8216;The Clash&#8217; no meio da conversa, de caso pensado, e ambos perceberam que seria uma desintoxicação difícil.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Flume e duas noites</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 06:49:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>trecker</dc:creator>
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		<category><![CDATA[serotonina]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela parecia bem. Ela sempre parece estar bem como nunca antes, mas há sempre algo nos dois segundos em que ela para e se retira da conversa que entrega o jogo.
Naquela noite haviam abandonado o controle da trilha sonora e as caixas estavam ali imóveis. Deixei tocando Bon Iver e ameacei entrar para um banho. Ela ficou sentada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela parecia bem. Ela sempre parece estar bem como nunca antes, mas há sempre algo nos dois segundos em que ela para e se retira da conversa que entrega o jogo.</p>
<p>Naquela noite haviam abandonado o controle da trilha sonora e as caixas estavam ali imóveis. Deixei tocando Bon Iver e ameacei entrar para um banho. Ela ficou sentada na beira da piscina, me olhou curiosa. Respondi o que tocava, antes que ela perguntasse. Preparei uma seqüência que ilustrasse melhor o que era e entrei.</p>
<p>Mais tarde tocou alguma outra coisa enquanto todo mundo falava alto e a peguei distante, chorando discretamente de alguma lembrança.  Falei qualquer coisa e ela riu. Foi o bastante pra querer causar mais pelo menos uma centena de outros sorrisos iguais, mas não era um bom dia e sabia que o dia seguinte também não seria. Deixei que o resto das pessoas a fizessem sorrir.</p>
<p>A sensação era exatamente como a de querer fazer bem a alguém quando se está distante. Eu não estava ali. Não digo que não deveria estar, só não estava. A presença física ali me fazia bem, mas não estava.</p>
<p>Na noite seguinte me faltou o sono e fiquei nos fones de ouvido. Em algum momento estiquei o braço e ela me pegou a mão.</p>
<p>Algumas horas depois, já quase amanhecendo:</p>
<p>&#8211; Você vai tomar uma <a href="http://trecker.com.br/distancia-segura/" target="_blank">distância segura</a> de mim também, agora?</p>
<p>Não estava preparado pra ser citado. Principalmente ao final dessa seqüência de fatos. Ri baixo de saber que ela lia e respondi que sim, fiz um carinho em sua nuca e deixei um beijo na testa, quase caindo da cama no caminho.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Inexpressiva</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 19:30:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Tem algo de inevitável em se apaixonar pela sua maneira de alongar as vogais ao falar, como quem está pensando em absolutamente tudo mesmo ao dizer uma sentença simples e o jeito como você usa os d&#8217;s e t&#8217;s antes dos seus i&#8217;s. Claro que isso não é exclusivamente seu, mas em você cai bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tem algo de inevitável em se apaixonar pela sua maneira de alongar as vogais ao falar, como quem está pensando em absolutamente tudo mesmo ao dizer uma sentença simples e o jeito como você usa os d&#8217;s e t&#8217;s antes dos seus i&#8217;s. Claro que isso não é exclusivamente seu, mas em você cai bem e por algum motivo me prendi a isso. Também pelo fato de que era necessária alguma desculpa para te romantizar além da óbvia profundidade de seus olhos azuis, o mais comum e delicioso dos clichês.</p>
<p>Um dia uma guria disse que me ensinaria a não me apaixonar instantaneamente por mulheres de olhos azuis. Recusei educadamente, disse a ela que jamais teria interesse algum por uma aula com esse item no conteúdo programático.</p>
<p>Claro que a desculpa do seu jeito de falar poderia ser melhor substituída pela intensidade com que te quero entender. Me é difícil aceitar que apenas o fato de falar pouco constitui o todo da explicação que justifica sua quase inexpressividade. Digo inexpressividade assim sem pudor porque a essa altura já ficou claro que é exatamente isso que mais me faz te querer entender, que me mantém te olhando depois de cada frase dita prolongando-se as vogais. Acompanhar pra qual lado você joga os olhos ao terminar de dizer o que, com esforço, resolveu compartilhar.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que me interesso tanto por saber tanto de você, me sentiria um completo imbecil se, assim <em>out of the blue</em>, te perguntasse. O que te faz explodir de felicidade? O que te enfurece e tira do prumo? O que diabos eu preciso fazer para te irritar a ponto de merecer um tapa na cara? Certamente ao responder você se quebraria de alguma forma irreparável e se tornaria outra por quem não me interesso. Mantenho então o desconhecimento enquanto encontro meios menos óbvios de sabê-la.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Cachinhos</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 00:02:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Quando ela entrou, os dois pareceram tão surpresos que percebi imediatamente de quem se tratava. Graças também aos cachinhos de seu cabelo, já detalhadamente descritos em causos e histórias que ouvi. Ela cumprimentou a ambos, se apresentou a mim e, como em qualquer situação em que pessoas se encontram sem aviso, conversou um pouco ainda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando ela entrou, os dois pareceram tão surpresos que percebi imediatamente de quem se tratava. Graças também aos cachinhos de seu cabelo, já detalhadamente descritos em causos e histórias que ouvi. Ela cumprimentou a ambos, se apresentou a mim e, como em qualquer situação em que pessoas se encontram sem aviso, conversou um pouco ainda de pé.</p>
<p>Não demorou muito pra resolver sentar. Ter tanto pra contar e tanto mais pra perguntar é natural a qualquer um que tenha ido morar fora do país há tanto tempo. No exato momento em que ela puxou a cadeira todo o universo perdeu significado diante da minha instantânea urgência de escrever, publicar e distribuir, ali mesmo naquele café, toda sua biografia.</p>
<p>Pensei que situações assim exigiriam imensa cautela pra não parecer o sujeito mais inconveniente do mundo, mas não. Não existe isso de &#8220;interesse demais&#8221;.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Paliativo</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 04:24:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>trecker</dc:creator>
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foto por pbeens
Uma Doença crônica é uma doença que não é resolvida num tempo curto, definido usualmente em três meses. [Wikipédia]
As doenças agudas são aquelas que têm um curso acelerado, terminando com convalescença ou morte em menos de três meses. [Wikipédia]
Tenho a impressão (e provavelmente não sou o primeiro) de que paixões crônicas são tratadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://trecker.com.br/wp-content/uploads/2009/12/l_500_326_E737F0AA-DC33-47D1-8A08-3CE6C1625191.jpeg" rel="lightbox[236]"><img class="alignnone size-full wp-image-364" src="http://trecker.com.br/wp-content/uploads/2009/12/l_500_326_E737F0AA-DC33-47D1-8A08-3CE6C1625191.jpeg" alt="" width="300" height="195" /></a></p>
<p>foto por <a href="http://www.flickr.com/photos/33318362@N00/1407374374" target="_blank">pbeens</a></p>
<p>Uma Doença crônica é uma doença que não é resolvida num tempo curto, definido usualmente em três meses. [<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Doença_crônica" target="_blank">Wikipédia</a>]</p>
<p>As doenças agudas são aquelas que têm um curso acelerado, terminando com convalescença ou morte em menos de três meses. [<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Doença_aguda" target="_blank">Wikipédia</a>]</p>
<p>Tenho a impressão (e provavelmente não sou o primeiro) de que paixões crônicas são tratadas com paixões agudas, em medida paliativa até que uma nova paixão crônica supere a anterior.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Distância segura</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 04:23:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>trecker</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[serotonina]]></category>

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		<description><![CDATA[[pra ser ler ouvindo Off he goes - Pearl Jam]
Li hoje [ontem pros que entendem o relógio e o calendário] um post acerca do &#8220;um ano&#8221; de algo. Li assim sem dar muita atenção, na impressão de saber do que se trata. Sabia nada. Um ano tem significado. Dia desses completou-se um ano do fim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[pra ser ler ouvindo Off he goes - Pearl Jam]</p>
<p>Li hoje [ontem pros que entendem o relógio e o calendário] um post acerca do &#8220;um ano&#8221; de algo. Li assim sem dar muita atenção, na impressão de saber do que se trata. Sabia nada. Um ano tem significado. Dia desses completou-se um ano do fim de meu último <strong>relacionamento</strong> , depois de oito anos de meio. Me atingiu de algum modo, só não notei direito. Um ano é intervalo bom de comparar. É milestone.</p>
<p>Comparando, em rascunho mental, dia 1 com dia 365 notei que desenvolvi um tipo estranho de alergia a intimidade. Não que não a tenha vivido e sentido seu cheiro no período, mas fica claro que sempre acabo evitando. Nem sei direito se é intencional. Só não parece haver outro curso de ação disponível. Também não me queixo, mas o gosto que isso deixa não deve ser bom. Me falta o paladar para saber com certeza experimental.</p>
<p>Distância segura. Nem tão longe que não se possa ver, nem tão perto que se confundam as pernas.</p>
<p>Foi assim, mais de uma vez, que vivi intimidade nesse período. Não chega a ser exatamente misantropia, é só um não responder quando ela pergunta no que está pensando, ou um desviar o olhar quando a paranóia leva a crer que ela está a ponto de descobrir. Como se algo inadmissível fosse sair escrito na tua testa se a deixares olhar por muito tempo. Não é difícil estar ali, junto, o difícil é voltar pra lá quando a mente foge.</p>
<p>Ilustraria claramente a situação: a conversa fluindo cheia de riso e carinho, quando sem aviso uma força não convidada te suga a alma, que desce pelo chão como se ali houvesse um ralo, e te arremessa num lugar de onde tens tentado fugir. Fuga essa que explica exatamente o motivo de você estar, no momento anterior, envolvido na conversa cheia de riso e carinho da qual foi subtraído sem escolha.</p>
<p>Distância segura.</p>
<p>O que incomoda é continuar achando que fazes isso para protegê-la, quando estás é protegendo a ti mesmo. Somos uns fracotes.</p>]]></content:encoded>
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