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Latest Updates: adrenalina RSS

  • trecker 21:02 on 20/12/2009 | 2 Permalink | Reply
    Tags: adrenalina, ,

    Quando ela entrou, os dois pareceram tão surpresos que percebi imediatamente de quem se tratava. Graças também aos cachinhos de seu cabelo, já detalhadamente descritos em causos e histórias que ouvi. Ela cumprimentou a ambos, se apresentou a mim e, como em qualquer situação em que pessoas se encontram sem aviso, conversou um pouco ainda de pé.

    Não demorou muito pra resolver sentar. Ter tanto pra contar e tanto mais pra perguntar é natural a qualquer um que tenha ido morar fora do país há tanto tempo. No exato momento em que ela puxou a cadeira todo o universo perdeu significado diante da minha instantânea urgência de escrever, publicar e distribuir, ali mesmo naquele café, toda sua biografia.

    Pensei que situações assim exigiriam imensa cautela pra não parecer o sujeito mais inconveniente do mundo, mas não. Não existe isso de “interesse demais”.

     
  • trecker 01:24 on 07/12/2009 | 4 Permalink | Reply
    Tags: adrenalina, ,

    foto por pbeens

    Uma Doença crônica é uma doença que não é resolvida num tempo curto, definido usualmente em três meses. [Wikipédia]

    As doenças agudas são aquelas que têm um curso acelerado, terminando com convalescença ou morte em menos de três meses. [Wikipédia]

    Tenho a impressão (e provavelmente não sou o primeiro) de que paixões crônicas são tratadas com paixões agudas, em medida paliativa até que uma nova paixão crônica supere a anterior.

     
  • trecker 01:23 on 25/11/2009 | 0 Permalink | Reply
    Tags: adrenalina, ,

    [pra ser ler ouvindo Off he goes - Pearl Jam]

    Li hoje [ontem pros que entendem o relógio e o calendário] um post acerca do “um ano” de algo. Li assim sem dar muita atenção, na impressão de saber do que se trata. Sabia nada. Um ano tem significado. Dia desses completou-se um ano do fim de meu último relacionamento , depois de oito anos de meio. Me atingiu de algum modo, só não notei direito. Um ano é intervalo bom de comparar. É milestone.

    Comparando, em rascunho mental, dia 1 com dia 365 notei que desenvolvi um tipo estranho de alergia a intimidade. Não que não a tenha vivido e sentido seu cheiro no período, mas fica claro que sempre acabo evitando. Nem sei direito se é intencional. Só não parece haver outro curso de ação disponível. Também não me queixo, mas o gosto que isso deixa não deve ser bom. Me falta o paladar para saber com certeza experimental.

    Distância segura. Nem tão longe que não se possa ver, nem tão perto que se confundam as pernas.

    Foi assim, mais de uma vez, que vivi intimidade nesse período. Não chega a ser exatamente misantropia, é só um não responder quando ela pergunta no que está pensando, ou um desviar o olhar quando a paranóia leva a crer que ela está a ponto de descobrir. Como se algo inadmissível fosse sair escrito na tua testa se a deixares olhar por muito tempo. Não é difícil estar ali, junto, o difícil é voltar pra lá quando a mente foge.

    Ilustraria claramente a situação: a conversa fluindo cheia de riso e carinho, quando sem aviso uma força não convidada te suga a alma, que desce pelo chão como se ali houvesse um ralo, e te arremessa num lugar de onde tens tentado fugir. Fuga essa que explica exatamente o motivo de você estar, no momento anterior, envolvido na conversa cheia de riso e carinho da qual foi subtraído sem escolha.

    Distância segura.

    O que incomoda é continuar achando que fazes isso para protegê-la, quando estás é protegendo a ti mesmo. Somos uns fracotes.

     
  • trecker 18:09 on 02/11/2009 | 0 Permalink | Reply
    Tags: adrenalina, comics, , ,

    Passei na Livraria Cultura do Iguatemi de Campinas, assim sem motivo mesmo. A Camila*, bela ruiva artificial (na cor do cabelo, apenas) foi a primeira coisa que vi e me interessei na loja. Por algum motivo ela me fez lembrar de “Death of Bunny Munro”, último parto de Nick Cave, pelo qual espero desde que ouvi falar. Breve conversa me levou a tomar conhecimento da disponibilidade do livro na unidade da Paulista da mesma livraria. Com isto, fí-la passar bons trinta minutos ao telefone em busca de reservá-lo para mim.

    Nada disso importa, o que importa é que a conversa que se seguiu abordou quadrinhos. Ela falou de Hellblazer, eu de Garth Ennis, ela falou de Preacher. Penalizei-me mentalmente por não ter lido. Ela apontou a prateleira e foi cuidar de seus afazeres.

    Levei a obra, deixei a Camila. Faltou MERECIMENTO.

    *Nome fictício.