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Jazz with Bass on Top
![Paul Chambers - [1957] Bass on Top](http://www.recordsale.org/cdpix/p/paul_chambers-bass_on_toprvg_edition.jpg)
Peguei o “Bass on Top”, disco do Paul Chambers, o cara do baixo no “Kind of Blue” AND no “Giant Steps” AND no “Cool Struttin’.” Já tinha ouvido falar que “Mr. PC” era para ele, mas só pouco tempo atrás um amigo me falou do “Bass on Top” e resolvi ir atrás do disco.
Há algum tempo eu já havia decidido que gostava mais da conversa do baixo com o instrumento principal do que do walking bass puro. Bass on Top é um disco todo com as melodias conduzidas pelo contrabaixo, que também assume a maior parte dos solos. Paul Chambers consegue ser devastadoramente dramático com o arco logo na primeira faixa, “Yesterdays,” pra depois te acalmar no pizzicato — bela palavra, usarei ao menos uma vez ao dia —, em “You’d Be So Nice To Come Home To”, que eu só conhecia na voz do Sinatra.
Depois uma sequência de músicas que eu já tinha visto no repertório de Miles Davis e que soam especialmente deliciosas tendo como lead o baixão: “Chasin’ the Bird,” “Dear Old Stockholm” e “The Theme.” Primeiramente, achei que tinha encontrado algo de Miles. Talvez nas primeiras audições eu esperasse um pouco do impacto que me causou o dueto de Chambers com Evans, logo no início de “So What”. Relendo e reeditando o texto, ouvindo novamente, concluí que não sei ouvir jazz e decidir algo sobre. Jamais saberei.
“Bass on Top” é um disco essencialmente quieto. Só baixo, piano, guitarra e bateria. Não consegui nem sentir falta da cornetaiada. Parte disso é culpa do Kenny Burrell, guitarrista que comecei a ouvir pelo “Midnight Blue” (disco referência da Blue Note sabor carne) e não parei mais de procurar. Burrell é co-responsável por “Chamber Mates”, composta junto com Chambers, que fecha o disco deixando como única opção possível voltar para a primeira faixa e ouvir mais enquanto se lista e baixa todas as gravações de Paul Chambers a partir dali.
O grande problema de descobrir um disco desses aos vinte e seis anos é que , em um cenário otimista, se dispõe de apenas mais uns cinquenta para gastar ouvindo.