Ela estava deitada na rede, olhando para o céu. Ele sentado no chão, com a cabeça em seu colo. Ficava pensando se essa distância que permite sentir a respiração do outro não poderia também, de vez em quando, permitir que pensassem a mesma coisa ao mesmo tempo.

Tinham acabado de discutir assuntos íntimos que a fizeram chorar e pararam a conversa em um daqueles pontos nos quais a única resposta possível é um abraço e um carinho na nuca. Ele assim respondeu, deitou a cabeça em seu colo e puxou o celular para ver se esbarrava em um próximo assunto menos denso.

Ela olhava para o céu e pensava na porção ínfima que, mesmo nas noites sem nuvem do interior de São Paulo, se podia ver dele.

Ele ainda olhava o celular quando se deparou com uma sequência de imagens que ilustrava de forma aterradora sua insignificância perante a imensidão do universo.

Pensou em comentar com ela e mostrar a imagem quando ela se virou e confessou que a amedrontava o fato de não conseguir enxergar ou sequer saber da existência das estrelas mais distantes. Guardou o celular e seus olhos lacrimejaram com a certeza de que ainda estava ali e que ainda podia sentir sua respiração soprando em seu ombro.

Ela evitou olhar pro céu, passou os braços em torno da cabeça que repousava em seu colo, apertou em um abraço desajeitado e lhe fez um carinho na nuca.