Ela parecia bem. Ela sempre parece estar bem como nunca antes, mas há sempre algo nos dois segundos em que ela para e se retira da conversa que entrega o jogo.
Naquela noite haviam abandonado o controle da trilha sonora e as caixas estavam ali imóveis. Deixei tocando Bon Iver e ameacei entrar para um banho. Ela ficou sentada na beira da piscina, me olhou curiosa. Respondi o que tocava, antes que ela perguntasse. Preparei uma seqüência que ilustrasse melhor o que era e entrei.
Mais tarde tocou alguma outra coisa enquanto todo mundo falava alto e a peguei distante, chorando discretamente de alguma lembrança. Falei qualquer coisa e ela riu. Foi o bastante pra querer causar mais pelo menos uma centena de outros sorrisos iguais, mas não era um bom dia e sabia que o dia seguinte também não seria. Deixei que o resto das pessoas a fizessem sorrir.
A sensação era exatamente como a de querer fazer bem a alguém quando se está distante. Eu não estava ali. Não digo que não deveria estar, só não estava. A presença física ali me fazia bem, mas não estava.
Na noite seguinte me faltou o sono e fiquei nos fones de ouvido. Em algum momento estiquei o braço e ela me pegou a mão.
Algumas horas depois, já quase amanhecendo:
– Você vai tomar uma distância segura de mim também, agora?
Não estava preparado pra ser citado. Principalmente ao final dessa seqüência de fatos. Ri baixo de saber que ela lia e respondi que sim, fiz um carinho em sua nuca e deixei um beijo na testa, quase caindo da cama no caminho.









Ariane Himmel 12:06 on 15/02/2010 Permalink |
É, a distância segura…