[pra ser ler ouvindo Off he goes - Pearl Jam]

Li hoje [ontem pros que entendem o relógio e o calendário] um post acerca do “um ano” de algo. Li assim sem dar muita atenção, na impressão de saber do que se trata. Sabia nada. Um ano tem significado. Dia desses completou-se um ano do fim de meu último relacionamento , depois de oito anos de meio. Me atingiu de algum modo, só não notei direito. Um ano é intervalo bom de comparar. É milestone.

Comparando, em rascunho mental, dia 1 com dia 365 notei que desenvolvi um tipo estranho de alergia a intimidade. Não que não a tenha vivido e sentido seu cheiro no período, mas fica claro que sempre acabo evitando. Nem sei direito se é intencional. Só não parece haver outro curso de ação disponível. Também não me queixo, mas o gosto que isso deixa não deve ser bom. Me falta o paladar para saber com certeza experimental.

Distância segura. Nem tão longe que não se possa ver, nem tão perto que se confundam as pernas.

Foi assim, mais de uma vez, que vivi intimidade nesse período. Não chega a ser exatamente misantropia, é só um não responder quando ela pergunta no que está pensando, ou um desviar o olhar quando a paranóia leva a crer que ela está a ponto de descobrir. Como se algo inadmissível fosse sair escrito na tua testa se a deixares olhar por muito tempo. Não é difícil estar ali, junto, o difícil é voltar pra lá quando a mente foge.

Ilustraria claramente a situação: a conversa fluindo cheia de riso e carinho, quando sem aviso uma força não convidada te suga a alma, que desce pelo chão como se ali houvesse um ralo, e te arremessa num lugar de onde tens tentado fugir. Fuga essa que explica exatamente o motivo de você estar, no momento anterior, envolvido na conversa cheia de riso e carinho da qual foi subtraído sem escolha.

Distância segura.

O que incomoda é continuar achando que fazes isso para protegê-la, quando estás é protegendo a ti mesmo. Somos uns fracotes.