Minha experiência com Linux

"This really is a true story, and she doesn't know I put it in my comic because her wifi hasn't worked for weeks." - http://xkcd.com/456/
Este texto teria saído ontem, não fosse o socorro da amiga e engenheira da Canonical Ursula Junque (negada, ela trabalha no Launchpad. INVEJEM!). Escrevi furiosamente emails e tweets expondo meu ódio pelo Linux depois de OITO tentativas distintas de reparar uma cagada minha.
Do fim pro começo, já havia desistido de ter o Ubuntu no dual boot simplesmente porque não me servia. Usei o gerenciador de partições do Vista para simplesmente deletar as partições Linux e achei que minha vida continuaria normalmente. O GRUB ficou louco e não carregava nem na catraca.
Quando comprei meu note deu vontade mergulhar mais de cabeça no Linux. Eu não tinha nenhum motivo para isso. Já tinha pago pela licença do Vista junto com o note, sei que alguns programas que preciso não rodam lá e não tinha todo o tempo do mundo para lidar com um sistema menos invisível. O que eu queria mesmo era ver como eu ia lidar com o pingüim.
Resolvi realmente me dedicar a achar motivos para adorar a liberdade, que é a grande bandeira que os linuxeiros que conheci levantavam. Assim, passei dois meses fuçando em tudo. Troquei Gnome por KDE, voltei, quis Compiz, não quis mais, deixei com cara de Mac, estraguei o X, consertei, instalei e testei uma quantidade razoável de programas. Foi divertido estragar e consertar, ter que me virar pra resolver. Mas definitivamente o Linux não tem nenhum grande atrativo para mim.
Claro que estou falando apenas de mim. Tenho um carinho todo especial pela platafoma LAMP bem como outros “stacks” de software livre que montem concorrentes à altura das soluções comerciais. Mesmo assim, consegui levantar alguns “pontos negativos” na minha experiência com o Linux.
- Gerenciador de Redes: pedia a senha de usuário (para acessar o chaveiro) a cada 3 minutos. Imaginem quanto tempo eu levei para descobrir que o Wicd é melhor? Entenda que chamo de melhor aquele que desvia menos minha atenção ou atrasa menos o meu trabalho. Não sei se é tecnicamente melhor.
- Plugin de Flash: datado de 1914, não suporta acesso a webcam/microfone¹. Antes que você pergunte, sim eu usei videostreaming para trabalhar. É bem comum quando você precisa estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Além do que, eu procuro ter à mão o maior número possível de soluções para um dado problema. Só uma conta no Skype e um MSN não resolvem SEMPRE. Às vezes eu preciso (ou quero) um streaming, para gravar a transmissão, abrir para comentários, registrar algo.
- Paradigma do do-it-yourself: Preciso citar um trecho desse post que linkei acima¹: “I suspect that this is a manifestation of the do-it-yourself spirit of Linux, i.e., if you need support for a particular format, you need to code it yourself.” No Linux eu sempre assumo que o do-it-yourself funciona sempre, aí eu caço uma solução até na décima página do google, com 3 buscas diferentes. Porque se eu procurei, algum outro retardado deve ter procurado. Isso, além de tomar um puta tempo, me leva ao problema abaixo.
- Tem muito mais que o que basta: É o tal do Fork. A comunidade concorre demais entre si, reinventa a roda, recria, muda, altera. Aprimorar me parece o foco de poucos. Liberdade absoluta não gerou melhores softwares, gerou MAIS softwares. Eu não tenho muito como saber se o programa ou “coisa” que estou instalando foi feito por gente que se leva a sério ou se foi uma solução de fim de semana que um amador fez sem maiores pretensões. Falta um Digg-like CENTRALIZADOR. FALTAVA! O Launchpad é até mais que isso para desenvolvedores. Se ele permitisse a zé-manés como eu vizualizar os projetos agrupados e rankeados, seria um sonho.
- Habilidade com Linux é uma habilidade especial: O Linux supõe que você sabe o que está fazendo. O Windows supõe que você está fazendo cagada. Prefiro assim. Se eu deixasse um sistema fazer meu trabalho, ia supor que ele está fazendo cagada e revisar. Assim como faço com o Google Translate, o SO devia me avisar que o que eu estou fazendo está errado, ou pode dar merda.
- Menos aceito: Simplesmente o fato de que quem te cerca usa os proprietários, e não os opensource, já é uma boa razão para ficar com os proprietários. Você trabalha em uma agência que usa Adobe, seu cliente usa Adobe e a gráfica usa Adobe. Quais as chances de você poder usar o Inkscape ou Gimp? Não vou falar do Office porque para planilhas e documentos de texto eu uso (e defendo) muito mais o Google Docs
Basicamente é isso aí que tenho a dizer. Espero que minhas impressões tenham ficado mais amenas depois da edição e, claro, da discussão com a Ursula, via GTalk.
This entry was posted on quarta-feira, outubro 29th, 2008 at 6:09, filed under Pitacos, and is tagged as experiência, impressões, julgamento, linux, windows. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

outubro 29th, 2008 at 9:47
* Gerenciador de rede,
Não tenho comenhecimento deste software, mas até onde eu sei NetworkManager do Ubuntu não precisa digitar a MESMA senha várias vezes.
* Prugin do Frash: Fato, AINDA nã funciona a câmera.
* Do-it-yourself: Do que exatamente você está falando? De scriptar uma solução de algum problema? Repito: Minha namorada e minha mãe NÃO SÃO PROGRAMADORAS.
* Tem muito mais que o que basta: Sim, a gama de software é incrivelmente grande, isso não é lindo? Cada um desenvolvendo a sua solução e você podendo escolher qual usar! Mas pérai, se você procurou no Google uma solução qualquer que seja, bom, ponha sua conta em risco. Mas se você procurou apenas nos repositórios do Ubuntu, fique tranquilo. Os softwares que estão na árvore de pacotes de Ubuntu devem atender uma qualidade pra estarem lá. Ursula, me corriga se eu estiver errado.
* Habilidade com Linux… Preciso repetir quem usa Linux?
* Menos aceitos: Fato. Contra isso não tenho nada a dizer. Eu até tenho, mas isso incluiria padrões abertos, software livre e uma pitada de xiitismo. Bom, deixa pra lá, who cares.
Abrá,
[]’s
outubro 30th, 2008 at 13:05
Vou tentar não ser xiita.
* Gerenciador de rede: não sei do que você está falando, mas o NetworkManager aqui funciona como o @otubo descreve
* Flash: bom, nem tudo é perfeito =/
* Do-it-yourself: no mundo d SL, existe a possibilidade de se fazer as coisas, não a obrigatoriedade. No mundo do software proprietário, quase nada é “DIY-ável”. Para mim, temos vantagens apenas com o modelo DIY
* Quantidade não é sinônimo de falta de qualidade. Na realidade, a quantidade impulsiona a qualidade, por meio da concorrência. Não é assim que as coisas funcionam no mundo não-computeiro? Porque não funcionaria assim lá dentro também?
* Habilidade especial: Hã? Existem distros e distros. Cada uma com um tipo de usuário-alvo, cada uma com suas particularidades. Com certeza existem distros, em alguns de seus modos de funcionamento, que requerem que você saiba muito do que se passa. Outras, você não precisa saber de nada. Na realidade, o Ubuntu mesmo é mais fácil de usar que o seu amigo da M$ em vários aspectos: você já tentou rodar um programa que não está instalado no Ubuntu? Ele se oferece a instalar para você. Já tentou abrir um arquivo para o qual não existe nada instalado que o abra? Ele se oferece para instalar os plugins/softwares necessário. M$ faz isso por você?
Menos aceito: Isso não é “culpa” do software ser livre. Isso é culpa de vícios de mercado, de empresas que te amarram pelo formato ou DRMs. Se o formato fosse aberto, você poderia usar o software que quisesse, livre ou não. E ele não é menos aceito. Simplesmente ainda não permeou o mercado suficientemente para causar essa mudança de paradigma quanto aos formatos de armazenamento/afins.
Acho que não deu para ser pouco xiita infelizmente =(. Desculpe-me! =/
Mas o que queria dizer mesmo é que no mundo de SL, nós não queremos ganhar dos proprietários. Só queremos estar vivos e *livres*. E para mim, mesmo com todos os problemas do mundo que SL possa ter, isso já basta. Mas você com certeza não pensa assim, então o que posso te dizer é isso que comentei sobre cada tópico.
[]s