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  • trecker 09:55 on 27/01/2010 | 3 Permalink | Reply
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    Há de se amar as belas cantoras. Essa em especial.
    Deveria ser direito do homem, garantido na constituição, ser amado por uma cantora. Viver o risco de um dia ter uma música inspirada em si. Não dedicada, que as dedicadas são para os mortos e os distantes, mas inspirada. Inspirada naquela tarde de domingo em que chovia e você decidiu que enfrentaria o toda a armada espanhola se fosse isso necessário para levar a ela uma tábua com queijos e um vinho pro quarto, mas acabou fazendo dois sanduíches e servindo o que restava da coca-cola sem gás.
    Você não saberia da música, porque se ela contasse perderia toda a graça. No outro dia você iria ouvi-la tocar naquele canto do boteco em que tomaram aquela caipirinha de pinga ruim e limão já meio passado. Nesse dia ela não tocaria a sua música. Você ouviria a música depois, muito depois, ela já longe e desencontrada. Ouviria porque um amigo seu baixou o emepetrês e no intervalo do poker lembrou que você havia saído com a cantora. A música veio no Random, o amigo não escolheria. Nem é tão amigo assim. Nem sabe se você ficou mal com o fim ou se foi coisa passageira. Nem amigo é, é só colega. Trabalha contigo, vocês falam coisas bem pessoais até, mas nem tanto.
    Ouve a música e lembra de um monte de coisas. Lembra de viagens, de passeios, de noites planejadas pra serem inesquecíveis, de presentes escolhidos com tanta atenção a minúcias, de quase tudo. Ouve a música e se arrepende de, naquela tarde de domingo não ter ido comprar os frios. Porque somos burros assim mesmo.

    Há de se amar as belas cantoras. Essa em especial.

    Deveria ser direito do homem, garantido na constituição, ser amado por uma cantora. Viver o risco de um dia ter uma música inspirada em si. Não dedicada, que as dedicadas são para os mortos e os distantes, mas inspirada. Inspirada naquela tarde de domingo em que chovia e você decidiu que enfrentaria toda a armada espanhola se fosse isso necessário para levar a ela uma tábua com queijos e um vinho pro quarto, mas acabou fazendo dois sanduíches e servindo o que restava da coca-cola sem gás.

    Você não saberia da música, porque se ela contasse perderia toda a graça. No outro dia você iria ouvi-la tocar naquele canto do boteco em que tomaram aquela caipirinha de pinga ruim e limão já meio passado. Nesse dia ela não tocaria a sua música. Você ouviria a música depois, muito depois, ela já longe e desencontrada. Ouviria porque um amigo seu baixou o emepetrês e no intervalo do poker lembrou que você havia saído com a cantora. A música veio no Random, o amigo não escolheria. Nem é tão amigo assim. Nem sabe se você ficou mal com o fim ou se foi coisa passageira. Nem amigo é, é só colega. Trabalha contigo, vocês falam coisas bem pessoais até, mas nem tanto.

    Ouve a música e lembra de um monte de coisas. Lembra de viagens, de passeios, de noites planejadas pra serem inesquecíveis, de presentes escolhidos com tanta atenção a minúcias, de quase tudo. Ouve a música e se arrepende de, naquela tarde de domingo não ter ido comprar os frios. Porque somos burros assim mesmo.

     
    • rogerio christofoletti 10:11 on 27/01/2010 Permalink | Reply

      Caríssimo, você tem toda a razão. Tanto no direito de todo homem quanto na cantora que escolheu.
      Sou um cara de sorte. Tenho uma cantora pra mim, uma canção pra mim e uma vida pela frente… abraço

      • trecker 10:16 on 27/01/2010 Permalink | Reply

        Não posso negar que és sim um cara de sorte. =)

    • Ariane 19:28 on 28/01/2010 Permalink | Reply

      entendo

  • trecker 16:30 on 28/12/2009 | 2 Permalink | Reply
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    Tem algo de inevitável em se apaixonar pela sua maneira de alongar as vogais ao falar, como quem está pensando em absolutamente tudo mesmo ao dizer uma sentença simples e o jeito como você usa os d’s e t’s antes dos seus i’s. Claro que isso não é exclusivamente seu, mas em você cai bem e por algum motivo me prendi a isso. Também pelo fato de que era necessária alguma desculpa para te romantizar além da óbvia profundidade de seus olhos azuis, o mais comum e delicioso dos clichês.

    Um dia uma guria disse que me ensinaria a não me apaixonar instantaneamente por mulheres de olhos azuis. Recusei educadamente, disse a ela que jamais teria interesse algum por uma aula com esse item no conteúdo programático.

    Claro que a desculpa do seu jeito de falar poderia ser melhor substituída pela intensidade com que te quero entender. Me é difícil aceitar que apenas o fato de falar pouco constitui o todo da explicação que justifica sua quase inexpressividade. Digo inexpressividade assim sem pudor porque a essa altura já ficou claro que é exatamente isso que mais me faz te querer entender, que me mantém te olhando depois de cada frase dita prolongando-se as vogais. Acompanhar pra qual lado você joga os olhos ao terminar de dizer o que, com esforço, resolveu compartilhar.

    Ao mesmo tempo em que me interesso tanto por saber tanto de você, me sentiria um completo imbecil se, assim out of the blue, te perguntasse. O que te faz explodir de felicidade? O que te enfurece e tira do prumo? O que diabos eu preciso fazer para te irritar a ponto de merecer um tapa na cara? Certamente ao responder você se quebraria de alguma forma irreparável e se tornaria outra por quem não me interesso. Mantenho então o desconhecimento enquanto encontro meios menos óbvios de sabê-la.

     
    • Ariane 23:30 on 29/12/2009 Permalink | Reply

      os olhos da lovemaltine se encheram de lágrimas (vai entender), mesmo sem que ela entendesse o porquê.

      fiquei vendo de longe e rindo. tantos clichês (dela, não seus). chorar assim, com o sentimento alheio. só podia ser ela, mesmo. como combinado, prometo não mostrar à hate – mas algo me diz que ela iria gostar. simples assim. afinal, love ou hate, se tem uma coisa que sou é sentimental. ;)

      belo post, treco. fico até sem jeito (estou há um certo tempo presa em um sentimento só, quando leio palavras como as suas é que percebo o quanto me falta variedade. ou não, nem sei mais dizer.)

      no mais, esse foi o comentário mais esquizofrênico de toda a minha vida.

      ah! feliz ano novo, se não nos falarmos mais até então. :)

    • zander catta Preta 09:13 on 30/12/2009 Permalink | Reply

      Clap!

  • trecker 13:19 on 23/12/2009 | 2 Permalink | Reply
    Tags: lobo frontal

    Acordei sozinho às três da manhã pensando não em você, mas em uma história que precisava ser contada. Resolvi escrever. Puxei o telefone e abri uma nota. Acendi um cigarro que fumou-se sozinho. Digitei furiosamente um texto que no fim julguei pessoal demais pra se publicar.

    Li sem o cuidado do autor e perdi completamente o sono. Quis sua cama lilás desarrumada e seus pés, de meias mesmo no verão, apertando os meus. Não fosse a vida tão real quanto é teria me metido em um ônibus e corrido para sua casa como se fossem as ultimas horas de existência de vida na Terra, mas tem que trabalhar amanhã.

    Acendi outro cigarro e tentei normalizar o texto para publicação mas como é que se faz se normal perde a graça? Substituí palavras mas não mudou muita coisa e sei que não é só porque fui eu quem escreveu. Na metade do cigarro concluí que tinha graça só pra você o jeito era voltar o texto para o que era e usar como carta.

     
  • trecker 21:02 on 20/12/2009 | 2 Permalink | Reply
    Tags: , ,

    Quando ela entrou, os dois pareceram tão surpresos que percebi imediatamente de quem se tratava. Graças também aos cachinhos de seu cabelo, já detalhadamente descritos em causos e histórias que ouvi. Ela cumprimentou a ambos, se apresentou a mim e, como em qualquer situação em que pessoas se encontram sem aviso, conversou um pouco ainda de pé.

    Não demorou muito pra resolver sentar. Ter tanto pra contar e tanto mais pra perguntar é natural a qualquer um que tenha ido morar fora do país há tanto tempo. No exato momento em que ela puxou a cadeira todo o universo perdeu significado diante da minha instantânea urgência de escrever, publicar e distribuir, ali mesmo naquele café, toda sua biografia.

    Pensei que situações assim exigiriam imensa cautela pra não parecer o sujeito mais inconveniente do mundo, mas não. Não existe isso de “interesse demais”.

     
    • Ariane 16:01 on 22/12/2009 Permalink | Reply

      é, depois de conversarmos cheguei mesmo à conclusão de que ela é uma das mais sensacionais figuras de linguagem.

      e quando eu crescer vou usá-la bem como você.

  • trecker 09:41 on 15/12/2009 | 2 Permalink | Reply

    (…) e por conta dessa carga emocional, sempre que conversamos há PESO. Falemos de amenidades então.

     
  • trecker 15:31 on 14/12/2009 | 0 Permalink | Reply

    Porque sentimentos de diferentes graus na escala Richter tem esse maldito hábito de não se comunicarem direito.

     
  • trecker 01:24 on 07/12/2009 | 4 Permalink | Reply
    Tags: , ,

    foto por pbeens

    Uma Doença crônica é uma doença que não é resolvida num tempo curto, definido usualmente em três meses. [Wikipédia]

    As doenças agudas são aquelas que têm um curso acelerado, terminando com convalescença ou morte em menos de três meses. [Wikipédia]

    Tenho a impressão (e provavelmente não sou o primeiro) de que paixões crônicas são tratadas com paixões agudas, em medida paliativa até que uma nova paixão crônica supere a anterior.

     
  • trecker 11:00 on 25/11/2009 | 0 Permalink | Reply
    Tags: estrogênio, eyecandy, testosterona

    tumblr_ktliu7t3jM1qz6f9yo1_r1_500

    Via @hatemaltine, via this isn’t happiness

     
  • trecker 01:23 on 25/11/2009 | 0 Permalink | Reply
    Tags: , ,

    [pra ser ler ouvindo Off he goes - Pearl Jam]

    Li hoje [ontem pros que entendem o relógio e o calendário] um post acerca do “um ano” de algo. Li assim sem dar muita atenção, na impressão de saber do que se trata. Sabia nada. Um ano tem significado. Dia desses completou-se um ano do fim de meu último relacionamento , depois de oito anos de meio. Me atingiu de algum modo, só não notei direito. Um ano é intervalo bom de comparar. É milestone.

    Comparando, em rascunho mental, dia 1 com dia 365 notei que desenvolvi um tipo estranho de alergia a intimidade. Não que não a tenha vivido e sentido seu cheiro no período, mas fica claro que sempre acabo evitando. Nem sei direito se é intencional. Só não parece haver outro curso de ação disponível. Também não me queixo, mas o gosto que isso deixa não deve ser bom. Me falta o paladar para saber com certeza experimental.

    Distância segura. Nem tão longe que não se possa ver, nem tão perto que se confundam as pernas.

    Foi assim, mais de uma vez, que vivi intimidade nesse período. Não chega a ser exatamente misantropia, é só um não responder quando ela pergunta no que está pensando, ou um desviar o olhar quando a paranóia leva a crer que ela está a ponto de descobrir. Como se algo inadmissível fosse sair escrito na tua testa se a deixares olhar por muito tempo. Não é difícil estar ali, junto, o difícil é voltar pra lá quando a mente foge.

    Ilustraria claramente a situação: a conversa fluindo cheia de riso e carinho, quando sem aviso uma força não convidada te suga a alma, que desce pelo chão como se ali houvesse um ralo, e te arremessa num lugar de onde tens tentado fugir. Fuga essa que explica exatamente o motivo de você estar, no momento anterior, envolvido na conversa cheia de riso e carinho da qual foi subtraído sem escolha.

    Distância segura.

    O que incomoda é continuar achando que fazes isso para protegê-la, quando estás é protegendo a ti mesmo. Somos uns fracotes.

     
  • trecker 21:48 on 09/11/2009 | 0 Permalink | Reply
    Tags:

    But Bunny realizes that something has changed in his wife’s voice, the soft cellos have gone and a high, rasping violin has been added, played by an escaped ape or something. He registers it but has yet to understand exactly what this means.

    Isso logo na primeira página.